Uma noite dedicada às raízes do Rock. Em 1947 a canção “Snatch and grab it” estava no topo das paradas de sucessos, e sua autora, a pianista e cantora Julia Lee, morreria no fatídico ano de 1958, em que perdemos ainda Chuck Berry (preso), Elvis (abduzido pelo U.S. Army) e Little Richard (largando a música secular para virar pastor). Poucas semanas depois, em fevereiro de 59, Richie Vallens e Buddy Holly morrem num acidente de avião. Julia, nascida em 1902, ajudou na trasmutação do R&B em rock´n´roll, mas até onde ela acompanhou, a geração catapultada ao sucesso pelo filme “Sementes da Violência” (1955) ainda parecia passível de ser neutralizada ou domesticada. Meio século depois, bandas do mundo todo ainda compõem rock primitivo e sem firula do mais alto nível: Thee Butchers´ Orchestra (Brasil), King Khan & His Shrines (Alemanha), Reverend Beat-Man (Suíça) e Dead Brothers (França) – todos lançados em vinil pelo selo Voodoo Rhythm. No meio do caminho, o revival do rockabilly na Inglaterra em fins dos 70s – representado aqui pelo Darts e pelo Eddie & The Hot Rods – foi um marco. A gente faz escala ainda em NY (com o hillbilly-Hanna-Barbera do Jim Kweskin & The Jug Band) e em New Orleans (com o blues galopante de Allen Toussant). O ilustre convidado da noite, o Mestre e DJ Theddy, entra em cena homenageando 3 divas dos anos 60, de 3 cantos diferentes do globo: Diana Ross (EUA), Sandy Shaw (UK) e Celly Campello.
Cotinue lendo ‘Theddy-O The Boss, Parte 1 de 4′
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Não importa a idade. Todo sujeito sagaz está hoje em dia com água na boca pelas bolachas de vinil. Apesar das lojas brasileiras não disporem de boas vitrolas por preços razoáveis. Apesar dos custos de importação tornarem essas suculentas reedições quase proibitivas pros pobres mortais. Uma boa opção pra quem quer fugir dos preços de 3 dígitos das Mega Stores são os LPs europeus que o Sebo Baratos anda recebendo desde o ano passado. Muitas reedições econômicas de krautrock e de rock garageiro dos anos 50/60, mas principalmente bootlegs, BBC Sessions e coletâneas de b-sides, out-takes e raridades, inclusive de bandas do século XXI. E disponíveis por uma preço beeem camarada: em torno de 55 mangos.
A edição do Clube do Vinil gravada em 30/04/2009 foi feita quase que exclusivamente com esses LPs – rolaram alguns discos extras para fazer chamego nos camaradas mais chegados – e está dividida em 3 blocos. Ao invés de soltá-los todos juntos, os blocos irão ao ar homeopaticamente, na véspera da chegada de novas remessas desses discos importados e “zero-bala”. E dentro de poucos dias tem um dessas pousando em nossas prateleiras…
De início, o Velvet Underground, em estágio embrionário, ensaia algo que deveria ser “Green unions” do Booker T. – extraído do bootleg “In 1966 there was…”). Em seguida você ouve a demo de “some unholy war” da Amy Winehouse e sua versão para “to know him is to love him”, do Sam Cooke. Depois de matar a curiosidade do André Buda por Nancy Sinatra (“Friday´s child”), DJ Ácaro manda um set de rock “de raiz” (dos 10 anos que antecederam a Beatlemania), ainda que as 2 bandas do meio sejam atuais com uma proposta retrô. The Crystals, Derek Martin, Dead Brothers (este é de 2000), The Reverend Horton Heat (de 1996), The Sidewalk Sounds e Ray McCoy. 43 min.
Cotinue lendo ‘From Outter Space, Parte 1 de 3′
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Nuno conhece bem a Grande Maça, onde viveu uma temporada na companhia de uma bailarina por quem foi apaixonado. No bloco anterior, rolou uma trilha sonora para o psicodrama do sessentão Alan Ryan - na primeira metade, com sons 60s. Pois neste derradeiro e baladeiro bloco é Nuno quem põe pra fora as tripas & o coração. Ouça Neil Young (“heart of gold”), Van Morrison (duas do disco “Moondance”), Radiohead (“airbag”) e David Gilmour (disco solo de 2006, “On an island”). E como de praxe, versões preciosas: “walk away Renee” (jazzística, pelo húngaro Gabor Szabo), “see Emily Play” (do disco de 73 do David Bowie) e “since i don´t have you” (a versão original da canção que o Guns´n´Roses fez famosa nos 90s). A locução em inglês que apresenta “personality”, do Lloyd Price, é a peculariedade da série de LPs “Cruisin´”, que reúne, além dos sucessos radiofônicos dos anos 50 e 60, anúncios e locuções de época. 44 min.
Cotinue lendo ‘Nuno Afrouxa a Gravata, Parte 3 de 3′
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Esse bloco é pra dançar. Sam Cooke dá a versão definitiva (e ultra dramática) pra “bring it on home to me”, com coro dos DJs, e na sequência as novas gerações revisitam os anos 60: Southside Johnny faz dueto com Ronnie Spector (ex-Ronnettes, ex-mulher do produtor Phil), os Blues Brothers encontram Ray Charles, Raphael Saadiq interpreta um clássico da Chess Records (da trilha de “Cadillac Records), o coroa Roger Dangerfield escracha “twist and shout” (é o sujeito de olhão esbugalhado do filme “De volta às aulas”) e Joan Jett canta um clássico do Eddie Cochran. A versão de “my sweet Lord”, do George Harrison, é do grupo gospel Blind Boys Of Alabama. Nuno, além de advogado e connesseur da boa música, é baixista e seguia a cartilha noisy-distorcida na época da banda Dogs in Orbit. Já devidamente chacoalhada, a confraria balança a cabeleira ao som de Buzzcocks, Magazine (do Howard Devoto, que foi um dos fundadores do Buzzcocks), Pixies (no original e no cover do Man Or Astro-Man?) e Richard Hell & The Voivoids. O clima discoteca pinta no fim deste set, com Ultravox e uma canção do último álbum (2008) do B´52´s. 54 min.
Cotinue lendo ‘Nuno Afrouxa a Gravata, Parte 2 de 3′
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DJ Ácaro tem uma grande dívida de gratidão para com Nuno Lisboa, o membro mais elegante da confraria – o Ribas é um caso à parte, é um radical chic, discípulo de Tom Wolfe. Foi Nuno quem abriu os ouvidos de Ácaro para o rock ianque de beira de estrada, aquele que bebe whiskey, não faz a barba e carrega uma gaita no bolso do jeans. (Mas passa bem o terno para ir ao culto batista, suar às bicas e arrebentar os pulmões cantando & dançando o soul…) Tom Petty, Bruce Springsteen e The Band estão neste primeiro bloco. Mas nem tudo está à beira da Route 61. De NY vem o The Only Ones e Mink Deville, de Minnesota os Castaways e de Michigan os Stooges. E atenção à ótima versão do Alan Bown Sect para “all along the watchtower”. Clássicos na proa e na popa: os superferas Barney Kessel, Shelly Manne e Ray Brown transformam “volare (nel blu, dipinto de blu)” em uma jóia do jazz, e a banda punk australiana Radio Birdman recria o tema de “Hawaí 5.0”. 45 min.
Cotinue lendo ‘Nuno Afrouxa a Gravata, Parte 1 de 3′
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Vynil Land Presents Catchy Chorus, Lado B
0 Comments Publicado by djacaro junho 4th, 2009 in PodcastLuís Valente tira da cartola mais algumas bandas do circuito indie inglês, como o Those Dancing Days e a quase disco Ladyhawke. Dessa última surge o momento “Furacão 2000” da noite, com um batidão contemporâneos assinado pelo Metronome. E dá-lhe mais participações especiais neste bloco: PC Andrade mandou o Temptations abrir alas para a trinca de ases Rafael Ramos (DJ residente das sextas no Bukowiski), Fernando Pinheiro e Jacaré . João “Pirikito” Luís soltou seu espírito folião com “eu te amo” do Sidney Magal. Já DJ Ácaro fechou os trabalhos com um desfile de guitarras esganiçadas & versões distorcidas: Streetboy versus Eddie Cochran, Sex Pistols versus Bill Halley, Captain Sensible versus Plastic Bertrand, além do punk do X-Ray Spex, do art-rock do Little Bo Bitch e da balada-indie-retrô do Raveonettes (do 7” bônus da edição em vinil do último álbum). Pra ser perfeito, só faltou o programa “Tribos”, do Multishow, ter informado ao público que foi aqui, nesta noite incrível, que eles filmaram a “tribo do vinil”. 60 min.
E um conselho: confira o clip do Ladyhawke (“from dusk till down”) no You Tube. Uma deliciosa homenagem aos filmes B de terror:
http://www.youtube.com/watch?v=yYQgBy7sJt4
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Vynil Land Presents Catchy Chorus, Lado A
0 Comments Publicado by djacaro maio 31st, 2009 in PodcastLuís Valente se divide entre Londres e Belo Horizonte, mas seja onde estiver, está sempre militando pela causa do Vinil. A festa Rock 45´s (que quando acontece em BH costuma ter o Kid Vinil dividindo as carrapetas) toca apenas compactos, com forte ênfase em bandas indies – não raro antecipando nomes que apenas meses depois lançam CDs por majors e são descobertos por revistas como a Mojo. Neste segundo pouso no Clube do Vinil o Luís estava sorrindo de orelha à orelha, pois lançava os 2 primeiros 7” de seu selo, Vinyl Land: “catchy chorus” do Autoramas e um EP do Dead Lovers. DJ Ácaro abre o apetite do ouvinte com uma versão do Ventures para The Troggs, a banda lusitana The DT´s e uma gravação ao vivo do Graham Parker. Luís Valente presta tributo a 2 de seus heróis que haviam falecido à pouco (Lux Interior e Ron Asheton), e apresenta 2 versões ultra rebolativas para Kings Of Leon e Artic Monkeys. Marcelo Callado faz aparição surpresa de DJ e manda Erasmo Carlos, Gil e Buzzcocks. E não esqueça de conferir o maneiríssimo PodCast que Luís há tempos produz:
http://vinylland.podomatic.com/
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Pirikito do Fonseca, Lado B
2 Comments Publicado by djacaro maio 15th, 2009 in Capa de CD Virtual, Podcast
Capa do CD virtual
Há poucos dias o programa Tribos, do Multishow, dedicou um bloco ao pessoal que prefere o disco de vinil. A filmagem aconteceu justamente naquela quinta-feira, dia 26 de março, em que João Pirikito comandava as pick-ups. Neste segundo e derradeito blocol o rock tão pesado quanto cheio de swing do Grand Funk abre alas pra sequência rebolativa com Manu Dibango e Cymande. E tem mais rock, do clássico (um épico marteladaço do Creedence com uma guitarreira alucinante) ao post-punk (Mercenárias), passando pelo inclassificável (Gabriel Thomaz do Autoramas e Móveis Coloniais de Acaju recriando canção do Little Quail). Quem curtiu o cardápio servido por João pode saborear mais indo ao restaurante Forneria São Sebastião, onde ele trabalha de human-jukebox, em Ipanema (Rua Aníbal de Mendonça, 112). E torçam pelas armações ilimitadas desse menino e de sua cara-metade, Sharon Battat. Ele tem tentado trazer pro Rio revistas maneiríssimas como a Vice, a Soma e a Noise (alternativas, ousadas, antenadas, luxuosas e, pasmem, gratuitas!), que por enquanto são distribuídas apenas em Sampa. Ela está produzindo a mostra do fotógrafo Myron Christian, de Serra Leoa, que depois de rodar o mundo (morou em Londres e aqui do lado, na Venezuela) foi estudar em NY e foi assistente de gente casca-grossa (Phil Pynter e Enrique Badulescu) - no Centro Cultural da Justiça Federal).43 min.
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João “Pirikito Sem Asa” Luís é um caleidoscópio de talentos: DJ, grafiteiro, artesão, ás do skate e agitador cultural. A edição da Clube comandada por João Pirikito primou portanto pelo ecletismo. Você ouvirá o rock alternativo que dá ibope nas mini-ramps da vida (The Smiths, Bad Brains), o crossover entre rock e hip-hop (Anthrax e Planet Hemp), bandas de sotaque mais tropical (Picassos Falsos e Professor Antena), uma swingueira irresistível (Black Alien & Marcelinho Da Lua) e até uma clássica canção de amor, “você”, do Tim Maia. Já o “mambo da Cantereira”, com o Jards Macalé, entrou porque João Pirikito vem do Fonseca, lá em Niterói. E atenção a dois dos nomes mais interessantes da cena alternativa recente, The Shins e Awesome Color (com uma canção que os Stooges teriam composto antes, se também fossem skatistas apaixonados pelo asfalto & pela velocidade). 43 min.
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Túlio, o Ronqueiro (Parte 3 de 3)
0 Comments Publicado by djacaro maio 11th, 2009 in Capa de CD Virtual, Podcast
Capa do CD virtual, por Natália Bittencourt
Como bom discípulo do Maurício Valladares, Túlio surfa em várias praias sonoras e valoriza a prata da casa. Da década em que a vanguarda da MPB absorveu o pop mundial ele saca Jorge Ben (“descobri que sou um anjo”, com arranjos de Rogério Duprat), Novos Baianos (que segundo o que tão dizendo, fizeram o melhor show da Virada Cultural de 2009, em Sampa) e Rita Lee - uma receita culinária (?!!) que os Mutantes musicaram pro “Build up”. Dando a benção a esses enfant terribles estão Cartola e Almirante, este último um herói do samba que deveria ser mais lembrado: pandeirista de Vila Isabel, fundou em 1929 o Bando de Tagarás ao lado de Noel Rosa e Braguinha, e a partir dos anos 40 virou radialista, gravando apenas esporadicamente a partir daí. De volta ao rock´n´roll, você curte feras de hoje (Racounteurs, o portuga Legendary Tiger Man e uma gravação ao vivo do Radiohead, de 2008) e de ontem (uma seqüência de “hard-rock-psicodélico-low-fi” que começa com a tributo do Guru Guru ao Eddie Cochran e termina com o Funkadelic criticando o consumismo da geração Woodstock, fazendo escala em Erasmo Carlos, Soft Boys e Pink Floyd, aliás deste último trata-se de uma BBC session, ô delícia!). 60 min.
Cotinue lendo ‘Túlio, o Ronqueiro (Parte 3 de 3)’
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