Baratos da Ribeiro Clube do Vinil

som imaginario1 300x210 Canções sem Fronteiras, Parte 4 de 4

A música e a poesia brasileira deu o tom na noite de 12 de novembro de 2009, no Clube do Vinil. Como todo bom rapaz, Luiz Monteiro já balançou muito a cabeleira ao som das guitarras rasgantes e das baterias cavalares, mas hoje, apaziguado nos braços de Virgínia Capibaribe, ele se volta para nossas raízes – e lá embaixo encontra ramificações que nos conectam aos sons de todo o planeta. Lembrando os tempos de piquete, a versão de “little wing” que Eric Clapton gravou no Rainbow, uma versão de “garden of my mind” pelos garageiros do Fuzztones e “Jet”, do Wings. Igualmente cheio de punch é a canção que Clementina de Jesus registrou para o Museu da Imagem e do Som. Antes de um jazz pra relaxar, um pouco de ska - destaque pro Lourel Lorenzo Aitken, cubano que cresceu na Jamaica, estava na Inglaterra quando o punk descobriu o ska e gravou esse disco na Espanha há poucos anos. A versão de “a day in the life”, clássico dos Beatles, é do Eric Burdon acompanhado dos negões do War. Encerrando, uma sequência de belíssimas canções brazucas dos anos 70, incluindo “sábado”, do Som Imaginário. 43 min.
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blog virginia capibaribe 300x225 Canções sem Fronteiras, Parte 3 de 4

Luiz Monteiro, também um ás das 6 cordas, trabalha atualmente com audiovisual, inclusive compondo trilhas sonoras. Está finalizando o longa-metragem “Como Você Ouve o Mundo”, co-dirigido por Julio Braga, sobre diversidade da música brasileira. A dupla colheu depoimentos de Tom Zé, Hermeto Pascoal, Lobão e Nação Zumbi dentre outros, além de ter filmado várias expressões musicais folclóricas. O rapaz não sossega. Casado com a professora de canto Virgínia Capibaribe, está produzindo também o show “Canção Sem Fronteiras”, onde exploram a música popular universal, se aventurando em meia dúzia de idiomas. Virgínia será acompanhada por Rodrigo Saboya no violão e Julio Braga na percussão, e o repertório inclui Violeta Parra, Federico Garcia Lorca, Amália Rodrigues, Manuel de Falla, Villa-Lobos e Arrigo Barnabé, além de composições originais. Serão 3 apresentações neste final de semana (veja mias detalhes abaixo). Nesta edição do Clube do Vinil gravada em fins do ano passado, rolou uma prévia do show, com Luiz violando: uma chanson française pré-Piaf, um standart de jazz, um fado, “mind games” do John Lennon e o clássico samba “ensaboa mulata, ensaboa…”. De resto, neste bloco: Tom Zé, Almirante, João Donato, Miriam Makeba, Fela Kuti e outras africaneidades. 48 min.

O show “Canções Sem Fronteiras” esterá em cartaz nos 26, 27 e 28 de janeiro, de 2010 às19h no Centro Cultural da Justiça Federal (Av. Rio Branco, 241, Centro). Começa às 19h e nomes para a lista amiga (R$ 15,00) devem ser enviados para:

cantarsemfronteiras@gmail.com

Um trailler do documentário “Como Você Ouve o Mundo:

http://www.youtube.com/watch?v=RVDC3bwJhtg

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blog luiz monteiro 300x225 Canções sem Fronteiras, Parte 2 de 4

Um spirtual abre esse bloco super colorido; em seguida vem Clementina de Jesus, depois Manu Dibango e Mona Gadelha, do disco coletivo da galera do Ceará, lançado nos anos 70, o “Massafera”. Folk? Música de raiz? Mas rola ainda Beatles, Sonic Youth e uma espiada num ensaio de Jimi Hendrix (um bootleg fantástico). Como o anfitrião Ácaro, Luiz Monteiro prefere a música difícil de se classificar, que transcende as categorias inventadas pela crítica e pelo mercado fonográfico. Ambos estudaram na Escola de Comunicação da UFRJ , que, apesar de capenga, tinha algumas feras em seu corpo discente e alunos inquietos, veja que sorte. Além disso, no Campus da Praia Vermelha estava instalada a Rádio Interferência, que, apesar dos hiatos, mantinha uma trabalho heróico e contínuo de divulgação musical. Ácaro produziu, com José Vicente, o “Poemanão”, que misturava música e literatura. Luiz Monteiro foi além, e participou da direção da rádio, arregaçando as mangas em defesa da democratização do dial – mesmo que de vez em quando a Polícia Federal apreendesse o transmissor. Ah, atenção ainda à psicodelia pop do Caetano Veloso e à belíssima doidera do disco de estréia de Belchior. 48 min.

Para conhecer mais sobre a Rádio Interferência:

http://www.eco.ufrj.br/portal/servicos/radio.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1dio_Interfer%C3%AAncia
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blog cancoes sem fronteira 211x300 Canções sem Fronteiras, Parte 1 de 4

Olha o trava-língua: são três trincas de canções, explorando diversas praias onde o convidado, Luiz Monteiro, gosta de surfar. Pra começar, samba pré-João Gilberto com o Grupo Rumo (reinventando Noel Rosa), Sérgio Sampaio, Ultraje a Rigor (sim, num clima banda de coreto). Aí vem uma sequência caliente & rumbeira com os argentinos do Opa (produzidos por Airto Moreira), uma galera de Angola e o Santana. Fechando: rock´n´roll. Uma canção cheia de cítaras na voz no Alceu Valença, um groove cheio de mojo do indiano Raghunath Seth e uma arrasadora versão para um clássico do Hendrix gravado em Milão , na Itália. 44 min.
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capa 4 guilherme ultimo bloco 300x225 Gingando com Guilherme, Parte 4 de 4

A noite de 23 de julho de 2009 foi realmente longa, ainda que não o suficiente pra dar conta de um povo tão animado. Oferecemos este “bonus track” – são menos de 25 minutos – a você como um convite para que venha conferir o clube do vinil in loco. A gente enche a geladeira da livraria de cerveja – vendidas ao módico preço de 2 mangos a lata -, um sujeito de bom gosto aparece para apresentar alguns dos seus LPs prediletos, o DJ Ácaro conta uns causos e o papo rola solto, às vezes até surge uma pista de dança no meio dos 20 mil livros do lugar. Sempre às quintas-feiras (salvo exceções: nesta semana marcamos na terça, véspera de feriado do padroeiro do Rio de Janeiro). Então nesta coda o DJ Conde (a.k.a. Guilherme Preger) evoca novamente Jorge Ben e joga pros ingleses. DJ Ácaro dá play num compacto que veio de brinde na New Musical Express de setembro de 1985, com uma gravação ao vivo de Lloyd Cole & The Commotions, e fecha a tampa com 2 canções do lindíssimo álbum “Jukebox”, da Cat Power. 25min30seg.
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capa 3 guilherme e ula 258x300 Gingando com Guilherme, Parte 3 de 4

Mas apesar da memória jogar a sujeira pra debaixo do tapete e privilegiar os aspector mais ensolarados dos anos 80, aquela foi a década dos yuppies consumistas, machistas, cafonas, cheiradores e que votavam em arautos do Apocalipse do naipe de Ronald Reagan, Margareth Tatcher e Bush Pai. Guilherme Preger explora agora o lado “Crepúsculo de Cubatão” da década: New Order, Echo & The Bunnymen, Eurythmics e Legião Urbana. Não à toa, 4 composições de Morrissey estão neste bloco – incluindo o quase psychobilly “you´re gonna need someone on your side”, do disco solo produzido por Mick Ronson, e uma versão ao vivo no Saturday Night Live para “suedhead”, ambos cortesia do DJ Ácaro. Aliás, neste rápido retorno o DJ residente mostra como o rock “de raiz” americano manteve a chama da esperança acesa na voz de outros intérpretes: Bonnie Tyler manda bem na versão de um clássico do Creedence Clearwater Revival e os punks do Skeletal Family reinventam “stand by me”, do Ben E. King. De resto, a galera se manteve eufórica. Afinal, além da boa música estavam celebrando o aniversário de outro membro notório da confraria, a psicanalista e escritora Vivian, pra quem a massa canta o “parabéns pra você” que se ouve no fim da faixa. 44 min.
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capa 2 guilherme em casa painel 285x300 Gingando com Guilherme, Parte 2 de 4

Guilherme Preger é um sujeito inquieto, porque não sossega enquanto não bota pra fora todo seu talento: engenheiro de profissão, mestre em Literatura, autor de um livro de poemas, contista que colaborou com a antologia “Clube da Leitura: Modo de Usar”, capoeirista, pai dedicado e ótima companhia para um chope no fim do dia. Devoto de São Sebastião, abriu seu set com o pedido de Jorge Ben para que São Jorge fechasse seu corpo, porque era julho de 2009, e o bicho estava pegando com aquela gripe sinistra. O resto do bloco mergulha na negritude, partindo da diva “punk” do jazz Nina Simone e chegando à interpretação de Neneh Cherry para Cole Porter (gravada para o projeto Red Hot +, que arrecadava grana pra luta contra a AIDS). No caminho, Stevie Wonder, James Brown, Soul II Soul e reggae: “Stir it up” do Bob Marley, a canção que Herbert Vianna escreveu para Paula Toller e o hino dos Titãs, “não vou me adaptar”. Ou seja: alegria e cinturas requebrando entremeadas por recordações e reflexões deste pensador da Glória. 49 min.
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capa guilherme roberto koch trem para roma 1991 300x193 Gingando com Guilherme, Parte 1 de 4

Acima de tudo, o Clube do Vinil é uma ocasião onde celebramos o amor pela música. Prova disso é que nem todos os ocasionais DJs ainda têm uma vitrola em casa, nem todos ainda compram LPs. (Apesar de todos já terem sido convencidos de que esta é uma excelente idéia.) Esta foi a segunda noite em que Guilherme Preger comandou as pick-ups, usando apenas os LPs que acumulou durante sua juventude, vivida principalmente nos anos 80. DJ Ácaro aproveitou para homenagear uma notória fã do rock bretão, que viveu em Dublin e Londres antes de voltar à Praça São Salvador, e que partiu cedo demais, deixando saudades. Parte da sua coleção acabou no Sebo Baratos da Ribeiro, outros discos no acervo do DJ residente do Clube. Abra bem os ouvidos para receber essas bandas irlandesas: Hothouse Flowers, The Fat Lady Sings e Cactus World News. Não podia faltar U2, e “human fish”, gravada ao vivo na televisão (saiu num bootleg 7”) vai surpreender positivamente os punk rockers no salão. Tom Waits aparece com um trabalho incrível de 1999, homônimo a um grande hit poperô do Alphaville. The The entrou por ser talvez a banda oitentista predileta do Ácaro. Finalizando o bloco, uma sequência bem radiofônica: Leonard Cohen reinventando o rebolado a la Olivia Newton-John e remixes de hits do Sting e do Style Council. 60 min.
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Michael Arce BeBops, Parte 1 de 3

michael arce Michael Arce BeBops, Parte 1 de 3

(54 min) Noite altamente jazzística em Copacabana. Roqueiro assumido, DJ Ácaro deu provas de seu ecletismo sacando de sua coleção uns discos muito cabeçudos, mas nem tanto assim. Afinal, o free jazz, com a liberdade de sua improvisação, era o que estava na cabeça do Iggy Pop, por exemplo, quando criou o Stooges – e “Funhouse”, em especial, com Steven MacKay no sax, deixa isso bem claro. O disco de Art Pepper, que Ácaro ouviu por recomendação de Jean Philippe (cuja coleção já alcança 50 mil LPs!), foi gravado logo depois que o saxofonista saiu de Alcatraz, onde cumpriu pena por lances com narcóticos. Veja quanta coisa o jazz e o rock tem em comum! Também foi investigada a influência do jazz noutros cantos do globo: Finlândia (Unto Jutila & Erik Lindström), Angola (Bonga), Polônia (Extra Ball) e no Brasil (com o disco tributo à comunidade hippie de Trindade, gravado por um time de feras capitaneado por Nivaldo Ornellas, Luiz Keller e Wagner Tiso). As razões desta viagem foi a ilustre presença de Michael Arce, gaitista que fez um pocket show com o repertório do CD que acaba de lançar. De formação jazzística, o rapaz bebeu muito nas pirações de Hermeto Paschoal e no senso melódico mineiro (Clube da Esquina). Aproveite para conferir a gravação em vídeo desta noite, disponível no site de Michael:

http://gaitanarua.blogspot.com/

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leve johnspacake 4 nex 1 300x259 John à Grega e Spacecake de sobremesa, Parte 4 de 4

Solte suas feras com a balbúrdia de abertura, “come on”, na versão exclusiva, “pilantrada” (i.e., cheia de urros & palavras de ordem de inspiração altamente alcóolica) por DJ Ácaro e Spacecake, munidos de um serelepe pedal de delay. Era mesmo hora do recreio, e Sama entra na roda com um daqueles hard-rocks oitentistas meio farofentos que justificam sua bandana. Mas a marca registrada da pilantragem clássica (aquela do Carlos Imperial e do Wilson Simonal) eram, além dos microfones abertos pra platéia, as palminha: “bate sus palmas” saiu de um compacto mexicano, de Las Foralettes. Jards Macalé tropicaliza, com muita classe, “blue suede shoes” do Carl Perkins e a garageira come solta em seguida com a versão para “wake me, shake me” (do Al Kooper) dos Beat Boys, aquela banda argentina que viveu em São Paulo em fins dos 60 e acompanhou Gil e Caetano em gravações históricas. Até John Charalamabides caiu na pilha, soltando o Brute Force pra mais um partido-alto do jazz-rock. Destaque ainda pra um rockão polonês de 1971 (Jedeme Jedeme, grooove pacas) e para a estonteantemente bela balada “fistful of Love”, do Anthony & The Johnsons – cantada em dueto com Lou Reed. Mostrando como a noite foi animada, houveram várias tentativas de final. Acabou valendo o LP com cara de Kraftwerk que o Fábio Lyra havia acabado de comprar no Circo Voador. 47 min.
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