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Mas apesar da memória jogar a sujeira pra debaixo do tapete e privilegiar os aspector mais ensolarados dos anos 80, aquela foi a década dos yuppies consumistas, machistas, cafonas, cheiradores e que votavam em arautos do Apocalipse do naipe de Ronald Reagan, Margareth Tatcher e Bush Pai. Guilherme Preger explora agora o lado “Crepúsculo de Cubatão” da década: New Order, Echo & The Bunnymen, Eurythmics e Legião Urbana. Não à toa, 4 composições de Morrissey estão neste bloco – incluindo o quase psychobilly “you´re gonna need someone on your side”, do disco solo produzido por Mick Ronson, e uma versão ao vivo no Saturday Night Live para “suedhead”, ambos cortesia do DJ Ácaro. Aliás, neste rápido retorno o DJ residente mostra como o rock “de raiz” americano manteve a chama da esperança acesa na voz de outros intérpretes: Bonnie Tyler manda bem na versão de um clássico do Creedence Clearwater Revival e os punks do Skeletal Family reinventam “stand by me”, do Ben E. King. De resto, a galera se manteve eufórica. Afinal, além da boa música estavam celebrando o aniversário de outro membro notório da confraria, a psicanalista e escritora Vivian, pra quem a massa canta o “parabéns pra você” que se ouve no fim da faixa. 44 min.
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Guilherme Preger é um sujeito inquieto, porque não sossega enquanto não bota pra fora todo seu talento: engenheiro de profissão, mestre em Literatura, autor de um livro de poemas, contista que colaborou com a antologia “Clube da Leitura: Modo de Usar”, capoeirista, pai dedicado e ótima companhia para um chope no fim do dia. Devoto de São Sebastião, abriu seu set com o pedido de Jorge Ben para que São Jorge fechasse seu corpo, porque era julho de 2009, e o bicho estava pegando com aquela gripe sinistra. O resto do bloco mergulha na negritude, partindo da diva “punk” do jazz Nina Simone e chegando à interpretação de Neneh Cherry para Cole Porter (gravada para o projeto Red Hot +, que arrecadava grana pra luta contra a AIDS). No caminho, Stevie Wonder, James Brown, Soul II Soul e reggae: “Stir it up” do Bob Marley, a canção que Herbert Vianna escreveu para Paula Toller e o hino dos Titãs, “não vou me adaptar”. Ou seja: alegria e cinturas requebrando entremeadas por recordações e reflexões deste pensador da Glória. 49 min.
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Acima de tudo, o Clube do Vinil é uma ocasião onde celebramos o amor pela música. Prova disso é que nem todos os ocasionais DJs ainda têm uma vitrola em casa, nem todos ainda compram LPs. (Apesar de todos já terem sido convencidos de que esta é uma excelente idéia.) Esta foi a segunda noite em que Guilherme Preger comandou as pick-ups, usando apenas os LPs que acumulou durante sua juventude, vivida principalmente nos anos 80. DJ Ácaro aproveitou para homenagear uma notória fã do rock bretão, que viveu em Dublin e Londres antes de voltar à Praça São Salvador, e que partiu cedo demais, deixando saudades. Parte da sua coleção acabou no Sebo Baratos da Ribeiro, outros discos no acervo do DJ residente do Clube. Abra bem os ouvidos para receber essas bandas irlandesas: Hothouse Flowers, The Fat Lady Sings e Cactus World News. Não podia faltar U2, e “human fish”, gravada ao vivo na televisão (saiu num bootleg 7”) vai surpreender positivamente os punk rockers no salão. Tom Waits aparece com um trabalho incrível de 1999, homônimo a um grande hit poperô do Alphaville. The The entrou por ser talvez a banda oitentista predileta do Ácaro. Finalizando o bloco, uma sequência bem radiofônica: Leonard Cohen reinventando o rebolado a la Olivia Newton-John e remixes de hits do Sting e do Style Council. 60 min.
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(54 min) Noite altamente jazzística em Copacabana. Roqueiro assumido, DJ Ácaro deu provas de seu ecletismo sacando de sua coleção uns discos muito cabeçudos, mas nem tanto assim. Afinal, o free jazz, com a liberdade de sua improvisação, era o que estava na cabeça do Iggy Pop, por exemplo, quando criou o Stooges – e “Funhouse”, em especial, com Steven MacKay no sax, deixa isso bem claro. O disco de Art Pepper, que Ácaro ouviu por recomendação de Jean Philippe (cuja coleção já alcança 50 mil LPs!), foi gravado logo depois que o saxofonista saiu de Alcatraz, onde cumpriu pena por lances com narcóticos. Veja quanta coisa o jazz e o rock tem em comum! Também foi investigada a influência do jazz noutros cantos do globo: Finlândia (Unto Jutila & Erik Lindström), Angola (Bonga), Polônia (Extra Ball) e no Brasil (com o disco tributo à comunidade hippie de Trindade, gravado por um time de feras capitaneado por Nivaldo Ornellas, Luiz Keller e Wagner Tiso). As razões desta viagem foi a ilustre presença de Michael Arce, gaitista que fez um pocket show com o repertório do CD que acaba de lançar. De formação jazzística, o rapaz bebeu muito nas pirações de Hermeto Paschoal e no senso melódico mineiro (Clube da Esquina). Aproveite para conferir a gravação em vídeo desta noite, disponível no site de Michael:
http://gaitanarua.blogspot.com/
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John à Grega e Spacecake de sobremesa, Parte 4 de 4
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Solte suas feras com a balbúrdia de abertura, “come on”, na versão exclusiva, “pilantrada” (i.e., cheia de urros & palavras de ordem de inspiração altamente alcóolica) por DJ Ácaro e Spacecake, munidos de um serelepe pedal de delay. Era mesmo hora do recreio, e Sama entra na roda com um daqueles hard-rocks oitentistas meio farofentos que justificam sua bandana. Mas a marca registrada da pilantragem clássica (aquela do Carlos Imperial e do Wilson Simonal) eram, além dos microfones abertos pra platéia, as palminha: “bate sus palmas” saiu de um compacto mexicano, de Las Foralettes. Jards Macalé tropicaliza, com muita classe, “blue suede shoes” do Carl Perkins e a garageira come solta em seguida com a versão para “wake me, shake me” (do Al Kooper) dos Beat Boys, aquela banda argentina que viveu em São Paulo em fins dos 60 e acompanhou Gil e Caetano em gravações históricas. Até John Charalamabides caiu na pilha, soltando o Brute Force pra mais um partido-alto do jazz-rock. Destaque ainda pra um rockão polonês de 1971 (Jedeme Jedeme, grooove pacas) e para a estonteantemente bela balada “fistful of Love”, do Anthony & The Johnsons – cantada em dueto com Lou Reed. Mostrando como a noite foi animada, houveram várias tentativas de final. Acabou valendo o LP com cara de Kraftwerk que o Fábio Lyra havia acabado de comprar no Circo Voador. 47 min.
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John à Grega e Spacecake de sobremesa, Parte 3 de 4
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A pedido do DJ Ácaro, John montou um set especial para apresentar a cena roqueira grega de fins dos 60, início dos 70. É marcante a influência dos ritmos locais, inclusive no uso de instrumentos tradicionais, e do folk psicodélico da costa oeste americana. De resto, guitarras com aquele fuzz que sempre enche o coração de alegria… George Romanos, Blue Birds, Poll e Nostradamos são as nomes. Especial atenção ao Ta Tessera Epipeda Tis Yparxis, ou Four Levels Of Existence como é conhecido entre os colecionadores, que chegam a pagar uns mil euros pelo raríssimo LP. Já a gravação ao vivo é do disco “Zontaoi Sto Kyttaro: I pop stin Athina” (“Ao vivo no Kitaro: o novo pop de Atenas”), registrado na clássica casa onde se reuniam hippies, comunistas e outros subversivos que ameaçavam a ditadura instalada à época na Grécia. Marcos Spacecake apresenta em seguida seu segundo set: raridades psicodélicas brazucas, pop eletrônico experimental francês e garageiras lançadas pela Voodoo Rhythms. 50 min.
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John à Grega e Spacecake de sobremesa, Parte 2 de 4
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John Charambiles deixou Chipre quando foi estudar engenharia nos EUA, onde acabou se assentando com sua namorada dos tempos de Mediterrâneo, com quem hoje divide o mérito pelos dois simpáticos adolescentes que iluminam a casa. O trabalho no ramo petrolífico fez com que vivesse uns anos no Brasil, onde uma coincidência (os filhos estudavam na mesma escola) lhe rendeu a amizade de um tal Pepeu Gomes. Também pudera, John tem 12 mil LPs, uma fantástica coleção voltada principalmente para o jazz rock, progressivo e hard rock setentista. Ele selecionou algumas das suas bolachas mais queridas para a noite em que pilotou as pick-ups do Clube do Vinil: Brute Force (um bando de negões fazendo um free form transloucado), Keith Tippett, Embryo, Magma e Nucleus (um bando de ingleses branquelos mandando um baita groove). DJ Ácaro fez uma modesta contribuição, no espírito “sem fronteiras” que marcou a noite: Szalona Lokomotywa é uma ópera rock polonesa. Já a canção de abertura foi cortesia de Marcos Spacecake: “la course de Manuel”, de Mikis Theodorakis. 56 min.52 min.
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John à Grega e Spacecake de sobremesa, Parte 1 de 4
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Marcos Spacecake foi o funcionário do Bolacheiro que bateu pé pra loja de discos da Lapa não fechar, e articulou sua transformação em Plano B. Atualmente um “disqueiro” independente, Marcos anda divulgando no Brasil importantes selos alternativos europeus, como o Wah Wah Records (espanhola), a Born Bad (francesa) e a Voodoo Rhtythms (suíça). Seu QG está na Penha, mas as feiras de vinil andam rendendo boas aventuras na Terra da Garoa, onde teve a sorte de conferir o show do Mama Rosin – na Astronete, onde rolará a próxima feira. Sua voraz curiosidade e seu espírito aventureiro, que não arrefece perante o insólito, o fazem colecionar os sons mais inclassificáveis: The Monks, eletrônica dos anos 60, lounge espacial, uma versão surpreendente para o tema do James Bond e garageira italiana (Movie Star Junkies) estão no cardápio. DJ Ácaro serviu os petiscos de entrada: baião-jazzy-funkeado (Dom Salvador & Abolição), rock marxista dinamarquês (Grillbaren), virtuosismo de guitarras (Love Sculpture), rock progressivo clássico (Magic Mixture), krautrock (The Inner Space, que depois de transformaria no Can) e folk psicodélico espanhol (Eduardo Bort).
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A verdade é que Ácaro é um frustrado. Seu sonho era ser popstar, mas posto a absoluta falta de talento para tocar um instrumento ou cantar, se alistou no exército do rock´n´roll disposto a tarefas menos nobres, como a de DJ. Os genes musicais da família se concentraram em Marcos Paulo, que estudou viola de arco no conservatório municipal de Taubaté (o Fêgo Camargo) e ensinou os colegas de escola a batucar ou dedilhar quando quis ter bandas de rock (“All-in” e “Virtude” fizeram até uns shows aí), até pegar gosto pelas jams improvisadas pelos salooms daquelas paragens, passando a empunhar o violão ou o cavaquinho. Mais sortudo que o irmão, Marcos Paulo pode ostentar vastos cachos de quiser, namorou beldades antes mesmo de entrar pra Medicina em Juiz de Fora, e fez uma bela carreira no GE Amizade (66-SP) – agremiação que desdenhou Ácaro uns 20 anos atrás. Este bloco começa com o grand-finale do set de MP: o bootleg de um show da Amy Winehouse em Berlim. Márcio, o outro cowboy, dá aqui seus 2 derradeiros e certeiros tiros: “jail guitar doors” e “train in vain” do Clash. Ainda nostálgico da adolescência em TaubaTexas, Ácaro apresenta o atual projeto paralelo do Greenday, o Foxboro Hot Tubs. De resto, pedradas mezzo-punk, mas inspirado nas raízes do rock´n´roll, pra homenagear o primo Márcio: AC/DC (regravando Amboy Dukes), Bryan Hyland (regravando o clássico de 1958, sete anos antes do Jam), Eddie & The Hot Rods e Jonathan Richman. Já para massagear os ouvidos de Mylena Shapovalov, várias versões de Rolling Stones: por Ramones, Bowie e até Gun´n´Roses – “wild horses”, tirada de um bootleg ao vivo. Além de 2 pérolas dos anos 60: “the airport song”, do Byrds, e a canção tema do filme “The Wild Angels”, de 1966, assinado por Dave Allan & The Arrows. 42 min.
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Taubaté, no interior de São Paulo, é uma terra um tanto inóspita aos de espírito curioso. Culturalmente árida, tem uma única loja de discos voltada pro rock, o Beco do Disco, do boa-praça Ferrarezi, que graças ao bom Deus continua a importar The Jam e Grand Funk apesar do público só dar bola pras bandinhas emo hypadas na MTV ou na Malhação. 15 anos atrás, quando os nerds do colégio se reuniam mais em volta da mesa de RPG do que da mesa de bar, Ácaro só não se perdeu graças a um ou outro farol a iluminar a rota dos bons sons. Seu primo Márcio Consenza talvez tenha sido seu maior guru, mesmo que não tenham convivido muito (nas primeiras 2 décadas de vida, 3 anos de diferença significa uma distância galáctica entre as pessoas, em termos práticos). Mas foi na casa do futuro advogado que o futuro DJ ouviu pela primeira vez The Animals, The Clash e Ramones. Assim sendo, ao pegar o bastão passado por Mylena, DJ Ácaro continua na mesma Londres dos anos 60 onde o Animals estourou (com o Zombies, Kinks e Easybeats), antes de saltar para a Curitiba do século XXI, com Faichecleres, via Libertines, e daí entregar nas mãos de Márcio Cosenza: Ramones, é claro, e 2 canções do melhor disco do Iggy Pop, “Lust for life”. O clássico hino “Cannonball”, do Breeders, é a cereja no set do Daniel Craig de TaubaTexas (vide foto acima). Marcos Paulo assume em seguida, com aquele entusiasmo contagiante dos 20 anos: Strokes, Artic Monkeys, Franz Ferdinand e Cansei de Ser Sexy. 45 min.
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